Bilinguismo

Nunca um assunto foi tão falado como esse tal de BILINGUISMO. É escola bilíngue pra lá, é projeto bilíngue pra cá, mas afinal o que é bilinguismo? Para mim, essa é uma pergunta um pouco engraçada pois a única e simples resposta é: falar 2 idiomas com segurança e eficiência.

Como tornar-se bilíngue então? O que vêm sido oferecido por aí? Quais a vantagens e desvantagens de uma escola bilíngue e um curso de idiomas? Penso que essa seja hoje em dia uma questão de comodidade, ou de valores e princípios, mais do que de eficácia na aprendizagem.

Em um curso de idiomas, você estuda uma média de 4 a 6 anos e teoricamente (há muitas variávies nesse ponto), sai com possível fluência na língua, dedicando-se de 2 a 3 horas semanais, e então já pelo menos no meio desse percurso você já é bilíngue. Sem precisar investimento excessivo financeiro ou de tempo, pois 2 a 3 horas são o suficiente se você faz um bom curso. De acordo com o CEFR (Quadro Comum Europeu, que dita as normas de editoras e exames internacionais e referência científica nessa área) um aluno leva mais ou menos 400 horas para chegar a um nível intermediário, e essas referências são feitas através de pesquisas e muito estudo e não apenas uma estimativa “de olho”. Isso significa que você se torna bilíngue indo à sua escola de idiomas 2 vezes na semana e se dedicando conforme a proposta pedagógica, sem mais dramas.

Já uma proposta de escola bilíngue ou de projeto bilíngue, como vem sido chamado, é confundido com várias coisas. A primeira delas é a confusão entre escola internacional e escola bilíngue. A escola internacional tem como propósito principal a adequação no sistema de ensino Americano, por exemplo, de pessoas expatriadas (que vêm ao Brasil a trabalho e precisam de escolas para seus filhos) e seguem todo o sistema Americano, tendo inclusive no seu corpo docente pessoas nativas formadas em suas devidas especialidades na área da educação. Essas escolas seguem também o calendário Americano que é diferente do nosso. Uma escola bilíngue não é uma escola internacional.

No Brasil, não há regulamentação para escolas que oferecem a possibilidade BILÍNGUE ou PROJETO BILÍNGUE, e isso significa que os profissionais que são contratados para a parte que é ensinada em inglês muito provavelmente não sejam formados nas duas coisas: ensino de línguas e na específica especialidade (ciências, matemática, ou geografia, por exemplo), o que torna o processo de procura por um profissional adequado e com as devidas competências, muito mais difícil e raro, pelo menos no Brasil, não há formação para esse profissional ainda. Essas escolas oferecem quase que o dobro da carga horária, sendo o período inverso destinado a revisão da matéria dada em Português, na língua inglesa. Se pensarmos nas questões culturais, isso é praticamente incompatível. Imaginem uma criança que aprende sobre sua cidade e seu estado, e que vai aprender algo que seja a mesma matéria, em inglês… há uma diferença enorme nas questões culturais práticas do dia a dia e a simples transferência de uma língua para a outra não faria sentido.

Por isso o que acredito estar acontecendo é uma nova forma de ter uma escola de idiomas, dentro do próprio colégio, dando a praticidade para os pais de não terem que fazer o leva e traz de cursos extra. Contudo, a pergunta que permanece é: qual a necessidade de todo esse investimento de tempo e financeiro se as escolas de idiomas dão o mesmo resultado na mesma extensão de tempo com carga horária muito menor, dando ao aluno a possibilidade de ter uma vida muito mais equilibrada e sadia sem passar a infância e a adolescência dentro da escola? Hoje já há um movimento aqui nos USA que discute o tempo que os alunos passam dentro da escola e o quanto isso interfere na saúde física e mental. Números de suicídios e depressão estão aí para quem quiser notar.

Sem falar nas questões culturais e na necessidade da solidificação da cultura brasileira e o Português nas fases iniciais da vida… vai haver quem diga que puxo a sardinha para o meu lado, mas é tempo de refletir sobre os processos de aprendizagem e as prioridades da nossa educação, e essa é e sempre será minha preocupação maior…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *