Exames Internacionais

Uma nova onda no marketing de escolas de idiomas e escolas regulares tem me levado a pensar no quanto não sabemos comprar alguns produtos, sejam eles quais forem, na educação não é diferente. Somos bombardeados com promessas e propagandas todos os dias e tenho a impressão que estamos comprando muito gato por lebre.

Apesar da quantidade de informação disponível e do acesso que temos hoje em dia, é difícil saber se estamos comprando algo de qualidade ou se ao menos estamos comprando o que precisamos ou queremos. Tenho pensado nisso por conta dessa avalanche de propagandas de escolas de línguas e de escolas regulares também oferecendo exames internacionais como garantia da aprendizagem e utilidade deles na vida desses alunos. Os clientes não sabem o que estão comprando e se encantam com os nomes de universidades e promessas da utilidade desses exames e a coisa não é bem assim…

É claro que ter um exame internacional em seu currículo como garantia do seu investimento na aprendizagem do inglês ou de qualquer outra língua é muito importante, mas não é aí que mora o perigo. Penso que o equívoco está em saber ao certo quais exames, para que finalidade, para que idade, que nível de inglês e quanto tempo de investimento no estudo para cada exame. Tenho visto propagandas de exame internacional X para alunos com nível de inglês superior ao do exame e a venda casada de um preparatório para ele, sendo que o aluno já poderia até fazer o teste e tirar uma boa nota sem mesmo esse preparo extra, simplesmente porque o teste é de um nível inferior ao que esse aluno se encontra. Outra situação que tenho visto muito frequente são exames infantis que atestam níveis de inglês mais baixos do que o que o aluno está, gerando a falsa impressão de que o aluno está indo muito bem em seu curso. Vou dar um exemplo mais claro: um aluno de 12 anos que estuda há 5 anos em uma escola de idiomas, presta um exame que atesta no máximo um nível iniciante onde bastariam apenas 1 ano meio ou 2 anos de estudo para que fosse possível prestá-lo. Esse aluno tira uma nota excelente (Ora, é claro! Já investiu 5 anos de estudo!) e a impressão que fica é de que o aluno e a escola fizeram um excelente trabalho pois esses exames tem nome conhecido, apesar de os pais não saberem se o nível do exame é compativel ao investimento que fizeram. Normalmente não sabem distinguir um exame do outro e vão pelo nome da marca, ou da Universidade que vende esses exames.

Um outro exemplo de um erro comum na compra de cursos de idiomas com venda casada com exames internacionais são as promessas de certificação para estudar fora do país. Na maioria das universidades geralmente somente são aceitos os exames e certificações que tem data de validade como os exames da ETS (empresa especializada em exames de proficiência e que tem testes como TOEFL, TOEFL JR e TOEIC), IELTS (da British Council), e em raras excessões algum outro mais específico direto da faculdade desejada, e não aceitam exames que atestem um resultado sem data de validade como os exames de algumas universidades inglesas. Por isso, se seu objetivo é morar fora e possivelmente estudar fora do país, você precisará desses exames acima mencionados. Para outros fins, como os de comprovação de que atingiu o nível prometido pelo seu curso de inglês, os exames sem data de validade são atestados eficientes.

Ao comprar um curso de inglês que lhe prometa exames internacionais como certificado, procure saber a finalidade desse exame e o nível máximo que ele atesta, é um bom começo para uma boa compra nessa área.

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